No chão vermelho do Norte, Tocantins em alvorada,
ergue-se a voz do mestre, firme, mansa, indignada.
Entre quadros e cadernos, sonhos plantam raiz,
fazem da sala pequena o mapa grande do país.
De Porto a Arraias, de Palmas a Tocantinópolis,
carregam livros e lutas, símbolos e propósitos.
No sol que racha o caminho, no ônibus da madrugada,
o giz riscando o destino, a esperança convocada.
Professor é quem acende, no olhar, primeira chama,
é timoneiro de pontes onde a vida se derrama.
No Brasil inteiro ecoa, do sertão ao litoral,
que sem magistério vivo não há futuro nacional.
Quantas greves, quantas cartas, quantas rodas na praça,
quanto amor virando pauta quando o tempo aperta e passa.
Piso, data-base, planos, letras frias viram flor
quando a lei encontra a vida no caderno do professor.
No Tocantins, mãos unidas, a classe ergue o coração,
voz que pede o justo peso: carreira, pão, condição.
PCCR não é cifra, é trilha, casa e cuidado,
é tempo de ver a filha, é sono não parcelado.
Quem ensina a ler o mundo, a somar dignidade,
conjuga verbo coragem com sujeito: liberdade.
Do barro nasce o futuro quando o quadro se ilumina
e a criança diz “eu posso” e a história se destina.
Mestre que atravessa enchentes, silêncio e barulho de trem,
que reparte o pouco giz para que caiba o “todos” e o “além”.
Que corrige prova à noite, com café e fé na mão,
e no outro dia sorri, costurando a educação.
Brasil de tantas bandeiras, de línguas e tradições,
é na aula cotidiana que batem as pulsações.
E o Tocantins reafirma, em canto claro e audaz,
que valorizar o mestre é valorizar a paz.
Que venham leis que amparem, que a pauta vire canção,
que o quadro-negro receba o branco da reparação.
Que o salário seja ponte, que o tempo seja abrigo,
que o respeito seja regra e caminhe sempre contigo.
Hoje, quinze de outubro, o país te diz: “Presente!”
Tu, que foste e és semente, árvore e rio corrente.
Professor, nosso farol, na chuva, sol ou calor,
nossa aula mais bonita é te chamar de “Professor”.
E quando a campa tocar, finda a lição derradeira,
que a cidade reconheça tua luta inteira.
No Tocantins e no Brasil, que a memória te enfeite:
sem professor, não há amanhã; contigo, o amanhã se ajeite.

